Parece coisa de artista de circo, mas depois de se aprender o jeito de manter o equilíbrio em cima de uma bicicleta, é difícil não gostar deste “passear rápido”.
Quando assistem às intermináveis discussões entre benfiquistas e sportinguistas, poucos sabem que grande parte desta rivalidade cresceu longe dos relvados e não teve a ver com Eusébio, Jardel ou, claro, Simão Sabrosa e Liedson. Foram os ciclistas Alfredo Trindade e José Maria Nicolau que, nos anos 30 do século passado, alimentaram a «guerra» Benfica-Sporting, fazendo-a crescer a todo o país, numa altura em que não havia televisão para ver os jogos de futebol, a rádio não era para todos, os jornais chegavam atrasados e as próprias estradas dificultavam as deslocações. Restava a passagem das caravanas do ciclismo para alimentar a chama do clubismo, mesmo quando ofereciam apenas uma simples bandeirinha. O equilíbrio do valor dos dois ciclistas fez o resto, com multidões a assistir ora ao triunfo de um, ora de outro. Quem viu as proezas de Trindade ficou fã do Sporting e quem vibrou mais com as pedaladas de Nicolau tornou-se adepto do Benfica.
Muito exigente em termos físicos, sobretudo nas provas de estrada – há também corridas em pista e fora de estrada (ciclocrosse, BMX, trial) –, particularmente nas etapas de montanha, a enorme exigência a que são sujeitos os ciclistas leva a uma grande admiração pelos atletas mais dotados.
Sendo tremendo o esforço para trepar de bicicleta uma subida íngreme, muitos ciclistas, incluindo alguns dos mais famosos, têm cedido à triste tentação do «doping», um dos maiores flagelos do desporto.
Desde finais do século xix que se disputam provas de ciclismo, precisamente na época em que as bicicletas passaram a ter rodas iguais e apareceram os primeiros mecanismos de tracção. Antes, desde meados do séc. xviii, as bicicletas tinham a roda da frente muito maior e com os pedais incluídos, como nos actuais triciclos de criança. Além de ser impossível atingir grandes velocidades – hoje, nas descidas, os ciclistas chegam a ultrapassar os 100 quilómetros por hora –, era também muito mais difícil ganhar equilíbrio nas alturas. Poucos conseguiam andar de bicicleta.
Como praticar
Ter uma bicicleta é indispensável. Pode adquirir-se uma por menos de 50 euros, embora as de competição custem acima dos 2500. Escolher bem os trajectos para treinar é importantíssimo, pois registam-se mais acidentes em treino do que nas provas. Há muitos clubes de ciclismo, com algumas regiões de maior implantação.
As estrelas
Em Portugal, Joaquim Agostinho é consensualmente considerado o melhor de todos os tempos. Faleceu devido a um acidente numa Volta ao Algarve. Marco Chagas tem o recorde de vitórias na Volta a Portugal. Na actualidade, José Azevedo (6.º e 5.º na Volta à França) e Sérgio Paulinho (prata nos Jogos de Atenas) são os mais credenciados. Internacionalmente, Lance Armstrong (Estados Unidos), ao ganhar seis vezes a Volta à França (a mais importante prova), superou ídolos como o belga Eddy Merckx, o francês Bernard Hinault, o espanhol Miguel Induráin, todos com cinco triunfos.
Para saberes mais
www.acm.pt – O sítio da Associação de Ciclismo do Minho tem uma «newsletter» gratuita e um fórum animado.
www.ciclista.com.br – O Clube do Ciclista brasileiro é muito interessante.
www.cdot.com.br/ciclismo.htm – Também brasileiro, o Clube do Fitness é óptimo para aprofundar conhecimentos sobre o treino.
Curiosidades
Considerada uma modalidade demasiado «dura» para mulheres, foi preciso um século para os Jogos Olímpicos (em 1984) incluírem provas femininas. A francesa Jannie Longo possui, de longe, o melhor currículo.