Página Inicial






Actualizar perfil

Janela Cultural
Fevereiro de 1998

Máscaras africanas
Por: JOÃO ALBANESE



Os objectos da arte negra não são feitos para serem «contemplados», mas possuem sempre uma função concreta.

 

Em África, tanto os objectos de uso quotidiano (tigelas, banquinhos, tantãs), ou para cerimónias especiais (estátuas de antepassados, feitiços, máscaras), como as obras de arte têm sempre uma utilidade prática. As máscaras, por exemplo, utilizadas nas danças e nas cerimónias públicas, constituem um laço entre o mundo humano e o divino. Elas são esculpidas para serem «exibidas» em determinadas circunstâncias da vida social e religiosa.

As máscaras têm muito préstimo e são consideradas as obras com maior valor entre todas as obras de arte negra. Elas contêm em si o poder do homem ou das divindades que representam, e é por meio delas que este poder se torna presente e transmite aos homens que as usam. Portanto, têm um significado totalmente diferente das máscaras ocidentais.

As máscaras africanas não têm nada a ver com o Carnaval ou com o divertimento. São feitas para circunstâncias muito especiais: danças da fecundidade, ritos de iniciação, funerais, etc. Fora destas ocasiões, as máscaras perdem todo o seu significado e valor. As máscaras são cuidadosamente guardadas até nova ocasião para serem usadas.

Na República Democrática do Congo, uma máscara que representa o rosto de um homem com a barba comprida, foi esculpida para os funerais de um velho. De facto, a barba comprida é símbolo de sabedoria. O homem que a usa durante a execução da dança fúnebre exterioriza a presença do defunto, o que faz com que os seus familiares fiquem confortados.

Outra máscara, mais pequena, com uma decoração simples, é uma máscara sagrada; materializa as forças existentes na natureza e permite ao homem dominá-las. É usada nos ritos de propiciação, de modo que, dominando as forças adversas, o homem tenha a certeza de êxito naquilo que está para fazer.

Outro exemplo podemos colhê-lo entre os Xenufo, um povo que habita nas planícies da Costa do Marfim. O bailarino cobre a cabeça com uma máscara grande com feições de animal durante as cerimónias que precedem os ritos de iniciação. Os enfeites simbolizam diversos animais (hiena, babuíno, pássaros sagrados, calaus), e representam o caos inicial do universo. O homem que usa esta máscara aterroriza com as suas danças a gente da aldeia e afasta os espíritos maléficos, purificando o terreno antes de a cerimónia se iniciar.

Imprimir   |   Enviar a um amigo



© copyright Missionários Combonianos - Revista Audácia | Todos os direitos reservados webdesign Terra das Ideias