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Tema Livre
Março de 2002

Gestos que valem palavras
Por: Redacção



Uma peregrinação pelos gestos dos povos. Para comunicar através do corpo para lá das palavras.

 

As expressões do rosto, os movimentos dos dedos e das outras partes do corpo, a maneira de vestir, de caminhar, o tom da voz, etc. permitem-nos, sem dúvida, comunicar melhor do que faríamos com as palavras.

Os gestos aqui enunciados e as reflexões que os acompanham têm o sabor de uma desforra contra quem prefere «navegar» nas ondas da Internet através de um frio computador em vez de arriscar a perder-se na maravilhosa aventura de «falar» com o corpo e, por conseguinte, com o coração.

 

Instruções para uso

O gesto torna-se uma outra janela através da qual podemos gozar o variegado panorama da «diversidade» do mundo; uma diversidade que não cessa de nos maravilhar e enriquecer.

Mas tamanha riqueza tem de ser ordenada e explicada. É exactamente para aclarar as ideias que nesta viagem encontrarás duas pistas a seguir. A primeira é dada pela subdivisão dos gestos por continentes ou áreas culturais; a segunda refere-se aos significados expressos pelos gestos que analisamos. Por isso, lembra-te que:

 

 

+ indica os gestos com mensagens positivas;

- indica os gestos com mensagens negativas;

* indica todos os gestos neutros, aqueles que não cabem nas duas categorias anteriores.

 

 

Comunicar

Ao comunicar, a pessoa torna-se protagonista, porque entra em relação com o mundo e com as outras pessoas, de perto ou de longe.

Para comunicarmos, precisamos de um instrumento que nos permita indicar e representar aquilo que pretendemos exprimir. Este instrumento é a linguagem. Poderemos defini-lo como um sistema de sinais (imagens, figuras, sons, palavras, gestos, etc.) de que nos servimos para conhecer o mundo e comunicar com os outros.

A primeira e a mais espontânea linguagem – ou instrumento – de comunicação de que dispomos é o nosso corpo. E quando dizemos «corpo», referimo-nos a «todo» o corpo, não apenas a algumas partes dele.

 

Nem só as mãos

Se é verdade que, quando se fala de gestos, se pensa sobretudo no movimento das mãos, é preciso não descartar todas as outras partes externas do corpo que intervêm na comunicação gestual.

Começando pela parte superior, descobrimos uma importante carga expressiva no rosto, sobretudo nos olhos e na boca. Os mestres na arte de comunicar com os olhos são os povos orientais, sobretudo os asiáticos; pelo contrário, quem melhor comunica com a boca são os povos árabes.

As orelhas e o nariz são pouco usados em todo o mundo, devido à sua escassa mobilidade.

 

Figuras tristes!

Os gestos podem ser semelhantes, ou até iguais, mas, se forem usados fora do seu contexto cultural, mudam completamente de significado e provocam sérios embaraços em quem os faz. Por exemplo:

- o gesto de cofiar a barba, sobretudo nas comunidades hebraicas, indica que se está a pensar ou que há uma decisão difícil de tomar; na Áustria, indica «tédio», «que grande seca!»;

- se quiseres pedir uma boleia, podes fazer o mesmo gesto em praticamente todo o Ocidente; mas evita-o na Grécia, Turquia, Médio Oriente e em certas zonas da África, onde o polegar levantado significa um gesto obsceno;

- o gesto de dizer OK com o polegar levantado, no Japão é empregue para o número cinco ou para indicar uma pessoa do sexo masculino;

- colocar a mão sobre o coração pode indicar tanto um gesto de lealdade como de amor, mas, no Médio Oriente,  bate-se no coração com a palma da mão direita para se pedir ajuda.

 

Em sintonia

Um sorriso, um beijo, uma carícia exprimem sentimentos e emoções de afecto, amor e amizade compreensíveis em qualquer parte do mundo. O ranger dos dentes, mostrar os punhos, fazer que se «corta» o pescoço, são sinais de cólera e de ameaça facilmente compreensíveis por toda a gente. Um V formado pelos dedos indicador e maior exprime o desejo ou alegria da vitória; para saudar alguém, basta acenar-lhe com a mão.

Assim se explica a existência de alguns gestos universais, espalhados pelo mundo.

 

Gestos

Comecemos pelos dois continentes que melhor conhecemos, ou seja, a América do Norte e a Europa, o chamado mundo ocidental. Vereis as surpresas!

 

* pequenas pancadas ritmadas com a mão aberta na parte exterior da coxa. Significa: «Estou impaciente, quero ir embora e não posso» (mundo ocidental);

* levantar e sacudir uma perna das calças, como se se estivesse a afundar na lama. Significa: «Aquilo que disseste é uma palermice» (EUA);

- esfregar o dedo indicador de ambas as mãos um no outro quer dizer que há um certo atrito entre as pessoas. Significa: «Devias envergonhar-te!» EUA);

- fazer um esgar com a boca e o rosto significa: «Fizeste-a boa!», exprimindo sarcasmo ou um cumprimento a contragosto (mundo ocidental).

 

Os gestos dos europeus são mais estranhos e mais fantasiosos que os dos norte-americanos.

 

+ Um dedo (o indicador) a bater-te no pescoço, só pode ser um velho amigo a “dizer”: «Vem beber alguma coisa comigo!» (Polónia);

- + Levantar um só e longo cabelo entre o polegar e o indicador (gesto tipicamente feminino) é sinal de profunda frustração, como se a pessoa os quisesse arrancar a todos. Arrancar um cabelo e exibi-lo a um amigo significa: «Fizemos um pacto entre nós.» (Espanha);

- dar pancadinhas no cotovelo com a palma da mão, significa: «O assunto não é claro» (Holanda); o mesmo gesto significa: «És um cretino; tens o cérebro no cotovelo!» (Alemanha e Áustria);

- o gesto de sacudir o queixo com as costas da mão indica um insulto e uma provocação (sobretudo na França e na Holanda); no nosso país quer dizer «estou-me nas tintas pra isso!».

 

Os gestos de Aladino

As populações de cultura árabe e religião muçulmana empregam muito a comunicação gestual:

 

+ para cumprimentar: a mão toca no peito, depois nos lábios e na testa e, finalmente, faz-se um gesto para diante, acompanhando-o com uma vénia. Significa: «Ofereço-te o meu coração, a minha alma e a minha mente»;

* para recusar «Lamento, mas não posso fazer isso»: a ponta do indicador toca na testa, entre as arcadas supraciliares;

* para “dizer” «Vamos! Rápido!»: o indicador toca na ponta da língua e a seguir na ponta do nariz;

* para jurar: a ponta do indicador direito toca na pálpebra do olho direito. Há outras maneiras de jurar, sempre tocando uma parte importante do corpo;

* para “dizer” que não acreditamos no que nos estão a contar: enchem-se as bochechas de ar e depois esvaziam-se com um murro.

* morder o polegar e depois sacudi-lo simulando uma grande dor significa frustração amorosa (Síria);

- mostrar a uma pessoa os dedos «em cacho» e depois abri-los rapidamente diante dos seus olhos quer dizer: «Sai daqui!» (Egipto);

* apertar o punho contra os lábios e rodá-lo com meia volta. Este gesto, típico das mulheres da Arábia Saudita, serve para afastar os espíritos maus;

* erguer as mãos, manter as pontas unidas e os olhos fechados. É um gesto de bons auspícios usado por certas tribos beduínas e significa: «Provavelmente vou fazer uma viagem»;

* bater com o punho cerrado nos nós dos dedos da outra mão significa: «Desafio-te!» (Turquia);

* bater com força nas ancas, por cima da roupa, com ambas as mãos. Frequentemente usado nos países árabes, acompanha o anúncio de alguma notícia má e significa: «Não tenho nada a ver com isso!»

 

Em sinal de respeito

Em África, o gesto de saudação mais frequente é o aperto de mão: apertam-se as mãos, levantam-se e, no ponto mais alto, desapertam-se.

Mas quando a saudação é feita por um jovem a uma pessoa anciã ou adulta, ele não se deve esquecer que:

 

+ se um jovem fala com um ancião ou com os pais, é obrigado a não olhar para o seu rosto, tem de ficar com a cabeça baixa, em sinal de respeito (Mbumba – Zaire);

- é sinal de extrema má educação voltar as costas a um adulto, sobretudo se ele estiver a falar (Mbumba – Zaire);

- a um ancião só se entrega um objecto com a mão direita. Oferecer alguma coisa com a mão esquerda significaria nutrir sentimentos de ódio em relação à pessoa a quem nos dirigimos (Mbumba – Zaire);

+ ao saudar um ancião ou um hóspede, estende-se a mão direita apoiada na mão esquerda. Este gesto significa: «Cumprimento-te com profundo respeito e sem falsidade» (Bacongo – Zaire);

+ duas pessoas da mesma idade ou posição social cumprimentam-se ficando em pé, uma diante da outra, enquanto trocam entre si um pequeno aplauso, sem fazer grande alarido (Mbumba – Zaire).

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