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Vária
Março de 2006

Somos todos africanos
Por: JORGE FERREIRA



África é o berço da humanidade. Foi de lá que Saíram os humanos que povoaram a Terra.

 

Há 70 mil anos, a zona equatorial de África sofreu uma longa seca. O lago Maláui, na Tanzânia – que hoje é um mar com 550 quilómetros de comprimento e 700 metros de profundidade –, ficou reduzido a algumas lagoas. O lago Bosumtwi, no Gana, secou.

Aquela seca mudou a história da Terra, porque obrigou milhares de homens modernos – «sapiens sapiens» –, a deixarem o continente africano. Há 50 (ou 60) mil anos, um primeiro grupo deslocou-se para a Índia, Sudeste da Ásia e Austrália – afirma Spencer Wells, investigador norte-americano – e 5000 anos depois, um segundo grupo povoou o Médio Oriente e a Europa. Há 15 mil anos, descendentes dos primeiros chegaram à América.

 

Evoluir, multiplicar-se e povoar a Terra

As provas arqueológicas dizem que há seis ou oito milhões de anos, em África, as linhagens dos símios e dos humanos começaram a separar-se. O hominídeo mais antigo conhecido é o que abrange os vários australopitecos: «ramidus», «afarensis», «robustus», «aethiopicus» e «boisei». Data de há quatro milhões de anos. O mais recente é do género «homo»: «habilis» e «erectus».

O «homo habilis» vivia no Norte e no Leste de África há cerca de dois milhões de anos. Encontraram-se restos fósseis na Ravina de Olduvai, na Tanzânia, e no lago Turkana, no Quénia.

O «Homo erectus», que surgiu há 1,8 milhões de anos e existiu até há 250 mil, foi o primeiro a sair de África e a ocupar outros continentes. Descobriram-se fósseis seus no Norte de África, Península ibérica, China e na Indonésia. Vivia em cavernas, usava ferramentas, como machados de mão, caçava em grupos e conhecia o fogo. Todavia, extinguiu-se em todos os lugares fora de África. Ali, no berço da humanidade, evoluiu para o «Homo sapiens arcaico».

O «Homo sapiens arcaico», condicionado pelo deserto africano, aventurou-se, como os seus antecessores, pela Europa e Ásia.

Alguns cientistas aventuram a hipótese de que o «Homo sapiens neanderthalensis» seja uma adaptação a ambientes frios do «Homo sapiens». Outros autores dizem que é uma espécie paralela, e que ainda não se sabe de onde proveio.

Entretanto, em África, os hominídeos evoluíam e apareceu o «Homo sapiens sapiens». Há 70 mil anos, por causa da seca, teve de migrar e povoou todo o mundo. Encontrou na Europa e na Ásia os Neandertais, que sucumbiram há 30 mil anos, talvez por competição com o «Homo sapiens sapiens». Este é o único género que sobreviveu e dele descendemos todos nós.

 

Selecção sexual

Se temos uma origem comum, porque somos tão diferentes no exterior: na fisionomia, cor da pele, tradições culturais?... A resposta surge com o estudo do genoma humano para determinar quem gerou a quem... E conclui-se que as diferenças de fisionomia e de tradições culturais dependem de caprichos da história. No começo, quando a humanidade tinha poucos membros, éramos todos muito parecidos. A dispersão pelo mundo diferenciou-nos. Essa tendência persiste, porque quando se escolhe alguém para acasalar, a maioria elege quem lhe é próximo: brancos casam-se com brancos, os aborígenes com aborígenes, os índios com índios, os negros com negros, do mesmo país (até da mesma aldeia).

Todavia, no mundo globalizado em que vivemos, a mesma selecção sexual está a deixar-nos cada vez mais parecidos. Porque também se escolhe o par que se acha mais atraente. Os portugueses desejam casar com suecas; os aborígenes sonham com inglesas; muitos africanos mestiçam-se com brancos.

 

Diferenças na cor da pele

As diferentes cores da pele são um capricho da Natureza, dizem os cientistas, que se baseiam num estudo que procurou saber o porquê de as listas dos peixes-zebra golden serem mais pálidas do que as dos vulgares. A explicação está numa mutação no gene slc24A5, a qual bloqueia a produção de melanina, a proteína que determina a cor.

Ora, como os peixe-zebra têm muitas semelhanças com os humanos, tanto nos genes como nas células pigmentares, também formadas por grânulos, aplicaram o estudo aos humanos. Verificaram que os europeus têm uma variante do gene slc24A5 ligeiramente diferente da dos africanos e asiáticos.

 

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